Título: Audiência fracassa e greve nos Correios é mantida
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Fonte: Valor Econômico, 08/07/2008, Brasil, p. A4

A audiência de conciliação entre o sindicato e a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), na sede do Tribunal Superior do Trabalho (TST), foi suspensa ontem sem uma definição sobre a greve da categoria. Com isso, continua em 23 Estados mais Distrito Federal a paralisação iniciada na terça-feira da semana passada.

O presidente do TST, ministro Rider Nogueira de Brito, propôs intermediar pessoalmente a negociação mediante a volta de todos os funcionários da empresa ao trabalho. Duas reuniões semanais, de acordo com a proposta, seriam realizadas até o fim de julho entre as partes. Porém, Correios e sindicalistas não chegaram a um acordo, e a audiência no TST será retomada no próximo dia 15.

Segundo a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fetect), a categoria reivindica o cumprimento integral de um acordo assinado em novembro do ano passado. Os principais pontos do acordo não cumpridos seriam a incorporação de 30% de adicional de periculosidade nos salários, negociação do plano de carreira e participação nos lucros.

Por sua vez, os Correios afirmam que o compromisso foi cumprido e mantêm a posição de de descontar os dias sem trabalho dos grevistas.

Como não houve acordo sobre o fim definitivo da greve, fica mantida a liminar do TST que determina que pelo menos 50% dos funcionários dos Correios retomem o trabalho, sob pena de multa diária de R$ 30 mil pelo descumprimento.

"Assim sendo, embora deva ser reconhecida a utilização da greve como legítimo instrumento de pressão sobre o empregador, faz-se necessário resguardar o interesse público, com a manutenção, ainda que parcial, dos serviços realizados pela empresa´", disse o presidente do TST em nota à imprensa, na sexta-feira.

Até o fim da manhã de ontem os Correios não tinham informações atualizadas sobre a adesão dos funcionários à greve. O último levantamento, feito na sexta-feira, apontava que 36% dos carteiros de todo o Brasil estavam de braços cruzados.

Em São Paulo, que possui um quinto de todos os carteiros do país, 17% estavam parados até aquele dia. Nos Estados de Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, o porcentual dos funcionários em greve passava dos 50%.